segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Renovo

O que mais me espanta, não é a vida – nem Deus. Esses são os menos culpados nessa história toda. Nunca tive dificuldade em assumir os fracassos das minhas decisões – pelo menos não para mim, no meu silêncio particular. A vida é uma terra fértil. Deus é o sol que fecunda as sementes, a água que rega as raízes, a madrugada que cultiva o orvalho. Somos integralmente responsáveis por aquilo que plantamos. Muitas vezes me peguei na ânsia de cavar mais fundo, me esconder nas profundezas desse jardim sem cores. Tenho, entretanto, ceifado frutos coerentes, buscando amadurecer os caules sem que as aves de rapina os devorem. Não sei quão duradoura será e semeadura e se algum dia prosperará . Tenho salpicado os grãos pelas beiradas da estrada, ainda que saiba que, algumas plantas, necessitam de anos para se consolidar. Ainda que não me sirva de abrigo, as árvores que eu criar serão sombra para a paixão em um dia ensolarado. Que ela seja, pelo menos, o auxilio do renovo – que não me pertença, mas seja parte de mim.

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