quinta-feira, 28 de julho de 2011

Solidão

Estou em cima da paineira, mais alta que o muro, observadora muda. A cada hora trocando de selva, de galho, de visão e acompanhamento. Não quero me mexer, não quero voar, tenho medo da amplitude, ainda mais incerta que a ilha que me posto. Aconchego minha alma num espaço vago, há muito mais do que eu possa preencher. Sou a valsa legítima, desacompanhada, em um salão sem música, sem cerimônia e sem convidados. Só me resta a dança sóbria e o eco que me conforta nas doces palavras que eu mesma me dirijo. Sinto o afago do peito que me afasta da realidade fria - me afundo na astúcia dos meus sonhos íntimos, infímos, peculiares. Me desperto na presteza de quem se desliga da verdade, do meu mundo de prazer fictício. Não há com quem dividir o sol, nem apreciar a lua ou contrar as estrelas do céu. Fecho as cortinas, aninho os cobertores da cama e me ajeito entre as pernas que se encolhem. Nada mais há - adormeço, na mais profunda solidão.

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