
De repente, você não tem mais a quem contar as chateações do trabalho, no final do expediente.
Você não tem um ombro para chorar, ou uma pessoa que simplesmente te ouça, quando você só quer jogar conversa fora.
Você passa a rir sozinha, enquanto assiste a uma comédia na TV.
Não tem com quem dividir as guloseimas, nem discutir o final do filme de suspense.
Você não compartilha mais as gargalhadas das manotas que presencia.
Não tem como quem repartir o sucesso, nem com quem comemorar as conquistas.
Você passa a chegar em casa e a comer qualquer coisa.
Deixa de ter os mimos de quem te levava um café na cama e já não pode dormir até mais tarde no domingo.
Você guarda para si as brigas no trânsito, aprende a resolver os problemas, tem de lidar com o mecânico, administrar as finanças e cuidar do supermercado.
Você se vê olhando, sozinha, pacotes de viagens para as férias - não há com quem repartir as ideias.
A cama parece ainda maior - a ausência de alguém se mistura ao encolher das pernas, no cantinho da parede.
O despertador toca e você procura, entre as frestas dos olhos, a quem chamar.
Você não tem a quem mostrar seus resultados médicos, nem tem por que se alegrar por eles.
A longevidade deixa de ser uma felicitação e passa a se arrastar como um dever de casa.
Você não tem a quem dar boa noite, nem bom dia, e os dias já nem são tão bons assim - as noites, muito menos.
Você já nem se importa mais com o cara que te paquera na rua, porque o mais importante mesmo, era a pitadinha de ciúmes que sentiam de você.
Você não tem a quem chamar de amor, nem a quem enviar torpedos - não há qualquer emoção no toque do seu celular.
Você deixa de ter aniversário, aniversário de casamento, de namoro, dia dos namorados, natal e ano novo.
Agora, você só quer olhar para a frente. Ao lado, não há nada - nem ninguém.

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