Fico aqui, chorando por horas. A pequena dorme, na cama – segura em seus sonhos de princesa. Vejo os minutos passarem, na tela do computador. Tem virado rotina esse ritual de lágrimas, o moletom molhado. Já nem sei se quero mais falar com alguém sobre isso – só quero sentir, aliviar a dor do peito no meu espaço particular, nessa atmosfera vazia. Nem quero mais alguém, nem ninguém. Não quero mais me apaixonar, não quero mais me arrumar, nem quero mais pensar se quero ou não tudo isso.Hoje é um dia diferente. Mais uns minutos, apenas, e terei oficialmente, 26 anos. Não sei por que completamos uma idade sem que tenhamos o que comemorar. Deveria ser proibido por lei. Ou ao menos, deveriam criar uma portaria que legalizasse a ausência profissional em dias de aniversários tristes. Apareceria terça-feira, sem que ninguém se lembrasse dessa existência perturbadora que me tornei.
Estou aqui, tentando me encorajar para tudo isso, para essa vida, esses novos doze meses que me surgem, ainda mais árduos e pesarosos. As pessoas não entendem, tenho fama de quem reclama e só faz palavras de fadiga. Essa é uma parte da necessidade que sentimos de boicotar a alma, no lisonjeio dos paliativos que arrumamos – alguns, na bebida, outros nas drogas e eu na escrita. O melhor de tudo isso, é que acabo sendo “socialmente aceitável”. Do tipo que não falta o trabalho, nem se joga na cama num marasmo depressivo. Não tomo remédios, sou absurdamente contra ansiolíticos. Prefiro ver as coisas de perto, encarar a vida de frente e, nos intervalos da batalha, afundar-me nesse oceano que jorra do peito. Submirjo meu corpo moribundo nesse lamaçal de dor, prendo a respiração, mordo meus braços, tento exteriorizar o sofrimento que grita por socorro dentro de mim. E no final, me canso, apago as luzes da casa e adormeço.
Amanhã é um novo dia. Um novo de tudo isso aí. Um novo aniversário, uma nova jornada, uma nova angustia, uma nova tentativa. Não sei como algumas pessoas sobrevivem com tanta facilidade. Mas tenho tentado bastante. Quero chorar o quanto for preciso, clamar o quanto for necessário, viver o quanto for suficiente. Quero amar, até que a dor o esgote, ou que eu faça uma eutanásia dessa lamúria toda. Cravaram-me o peito e me mantém aqui, me arrastando pelo fio que me prende – ainda que eu saiba, que não há mais chance pra mim.

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